É época de Copa do mundo…

É época de Copa do mundo! Uhuu! Finalmente entendi o que é o mais fascinante num evento deste porte: a diversidade. Muitas culturas coexistindo fisicamente próximas, e expostas pelas emissoras de TV do mundo todo!

Diversidade cultural

A palavra globalização não saía da minha cabeça. Para uns é o que precisamos para sermos felizes. Para outros, é a causa da infelicidade. Para todos, porém, é o destino irremediável, um processo irreversível. (Copiando um fragmento de texto atribuído a Zygmunt Bauman)

Fiquei pensando em um negócio, do ramo de alimentação, que pudesse representar esta tendência. Logo num ramo tão tradicionalmente artesanal… Bem, não foi tão difícil, o exemplo é obvio!

O esquema de produção super padronizado, até mesmo por parte dos fornecedores, permitiu que o Mc Donald’s encontrasse em todo canto do mundo um bom nível de sucesso. Padronização, universalização e a Engenharia Alimentar, não necessariamente nesta ordem! O paradoxo de atingir a uniformidade pela uniformidade, e por desdobramento natural a idéia de qualidade.

Longe, mas muito longe mesmo, de alcançar em minha opinião o grau de “comível”, esta rede de fast food faz o seu trabalho de casa com perfeição. É um dos melhores exemplos de que com organização e método consistente é possível transformar o embolorado restaurante da família em um negócio muito atraente. No entanto, simultaneamente, produz dois dos maiores desserviços para a Gastronomia.

Em primeiro lugar, a fabricação dos gostos que passa despercebida por nós, ou seja, vai aos poucos habituando nossa percepção aos sabores criados artificialmente, e perdendo a conexão com os sabores naturais. Os produtos com calda de morango, por exemplo, já não são nem em sonhos parecidos com o sabor de um verdadeiro morango.

O segundo problema, não em importância, é a forma massificada com que atinge nossas crianças. Ensinando-as que um lanche numa caixa colorida é alguma forma saudável de alimentação. Além das características nocivas já estudas por muitos (ver o Filme “Supersize me”), pergunto: será que alguém avisa aos jovens consumidores de que aquele sanduíche belamente embalado já foi uma linda vaquinha?

Uma possibilidade!

Para o primeiro problema existem algumas iniciativas, com destaque para a Chef goiana Maria Luíza Ctenas, que desde meados de 2009, vem produzindo a base de técnicas atuais, contrastes de textura e muita criatividade um cardápio inteiramente realizado com partes do cardápio fixo da tal lanchonete. Foi criativo, mas no fundo continua sendo a mesma comida!

Criatividade em ação!

E também, ainda para o primeiro problema, a loja criou um cardápio temático, especial para a copa, onde cada dia da semana corresponde a um sanduíche alusivo a uma cultura: Espanha ( merluza como molho de tomate e alcaparras), Argentina (carne bovino, molho chimichurri e bacon), França (frango empanado, queijo emmenthal e melt cream cheese com ervas), Brasil (pernil, maionese temperada, mussarela e cebola), Estados Unidos (Hamburger , molho barbecue, picles, bacon e cheddar), Itália (polpetone, molho de tomate com manjericão, pepperoni e parmesão), e Alemanha (salsichão com molho mostarda, maionese e mussarela). Também foi criativo, mas no fundo continua sendo a mesma comida!

Para o segundo problema não vejo solução paliativa, e foi por isso que me tornei vegano. E antes que venham dizer que sou extremista argumento: radical é comer um animal que poderia ser seu amigo, ou no mínimo animal de estimação!

Como dica vale lembrar que estamos em tempos de conhecer novos povos, novos costumes. Todos os meios de comunicação estão empenhados, reunindo os dados e compilando tudo. Não apenas pela ótica da Gastronomia, mas com uma multiplicidade de facetas impressionante. Aproveite para preparar o cardápio dos acepipes de acordo com a culinária de cada país (se a idéia foi boa por que não usá-la?!), usando a criatividade para re-inventar o que você acha que não está perfeito.

Reúna os amigos (se você fizer algo muito bom sempre pode precisar de testemunhas!), torçam bastante, e que a seleção tenha muita sorte!

One response to this post.

  1. […] Olhando bem de perto, os brasileiros adoram comidinhas que podem ser consumidas rapidamente, até mesmo com as mãos. Os bares, botecos, barraqueiros, e coisas afins estão sempre lotados de gente pedindo salgadinhos, comidinhas e belisquetes de todas as variedades possíveis. E, com bastante cuidado, é possível fazer boas refeições.Já falei um pouco sobre esse assunto num post anterior… […]

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