Eu não como só alface!

Porque nem todo mundo sabe direito o que é um vegano, sempre preciso responder perguntas do tipo: “se não pode comer nenhuma carne, o que você come?” ou “você só come alface?”. Ok! Sem problemas! Pra quem não conhece o assunto pode mesmo parecer estranho que algumas pessoas resolvam, de livre e espontânea vontade, não mais comerem proteínas oriundas do reino animal.

Sou professor e obviamente não fico chateado em responder perguntas, mesmo quando repetidas. Além disso, eu entendo como necessário divulgar as idéias as quais me associo.

Seguindo nessa linha um novo aluno me pediu ajuda. Ele estaria trabalhando em um local onde precisam incrementar uma dieta vegetariana. Precisam de receitas e dicas. E, aprofundando o assunto deparei com uma questão: o que eles querem é especificamente “novas receitas para utilizar a proteína de soja e o bife de Glúten”! Vou ajudar de bom grado, e não estou reclamando!

Mas, ora pipocas, como diria a minha avó. Por que uma unidade alimentar iria incrementar uma dieta vegetariana apenas com receitas de proteína de soja e bife de Glúten? Os veganos, como eu, comem outras coisas. Bobó de couve flor, caldo verde com salsicha vegetal, moqueca de caju, e sei lá quantas outras opções são possíveis…

Sem contar os “pratos inéditos”, podemos produzir pratos tradicionais com substituições honestas e até honrosas. Basta pensar que é muito simples preparar um creme (com 1 xíc. de tofu, 4 colheres de sopa de azeite e temperos, tudo bem batido no liquidificador), para substituir o queijo cremoso em diversas preparações que podem parecer inacessíveis aos adeptos das refeições veganas.

Não estou excluindo proteína de soja, nem bife de glúten, nem o tempeh, nem nada do cardápio. Na verdade o movimento é o inverso, estou incluindo outras coisas. Sem esquecer a versatilidade da proteína de soja, que pode aparecer de muitas formas criativas (picadinho do Copa, proteína de soja bourguignon, picadinho tailandês, polpetone recheado, estrogonofe, brochete com pimentões, e outras tantas possibilidades).

Observação: A principal reclamação das pessoas que são “obrigadas” a comer proteína de soja é que não teria “gosto de nada”. Putz! A expectativa das pessoas já é ruim, e em adição os cozinheiros muitas vezes realizam as preparações sem nenhum cuidado especial. O resultado é obvio! A grande dica então é que tais preparações precisam ser pensadas com mais carinho do que nas outras. Mais líquidos aromáticos. Mais ervas frescas. Mais ervas secas, especiarias, e tudo mais que possa agregar sabor.

Eu hidrato a proteína de soja pelo menos por uns 30 minutos antes de usar, e para cada 500g de proteína uso caldo de legumes morno em quantidade suficiente para cobrir a proteína, umas 30g de gengibre cortado em lascas, ½ cebola cravejada, 1 ou 2 folhas de louro, e ¼ do volume de caldo em Shoyo. Se o prato for muito especifico é preciso mudar o líquido aromático (caldo) por outro que seja mais condizente com a preparação (vinho, café, chá,…). E mais, em preparações de cozimento longo, onde o resultado esperado e um caldo espesso, passo a marinada pelo chinois e acrescento logo depois da proteína estar bem refogada.

Bom apetite!

2 responses to this post.

  1. Migrado do blog antigo…
    “O bobó é bom. Eu garanto!!”
    por Patrícia Canete

    Responder

  2. […] com perguntas como: “Vegano só come alface?” ou “Quando você sai a noite come o quê?”. Já até escrevi um post sobre esse assunto. Mas aconteceu uma série de eventos memoráveis, que resolvi compartilhar com quem lê o meu […]

    Responder

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