Personagens da cozinha

Ao longo do tempo venho trabalhando com brigadas muito diferentes em tamanho e na formação. Não importam as particularidades nossas praças serão sempre as mesmas: as saladas precisam ser feitas, os grelhados também…

Essa idéia me ocorreu com a moda dos programas de televisão chamados “reality show”, onde pessoas muito diferentes são confinadas juntas, sob situação de stress. Os elementos desses grupos mudam a cada edição do programa, no entanto, os papeis também são preenchidos invariavelmente. O comportamento humano é bastante previsível.

Olhava a TV e pensava: Quantas coincidências… O stress, o grupo heterogêneo, dinheiro em jogo, e o confinamento. Digo isso porque chegar antes do sol nascer e sair depois que ele já se pôs não chega a ser tecnicamente uma novidade para quem trabalha com cozinha. As maiores diferenças ficam a cargo do figurino e também do montante do prêmio!

Nas minhas andanças por ai consegui identificar alguns grupos muito bem definidos.

Os “fofoqueiros”, e em geral são muitos, podem ser ao mesmo tempo nocivos e úteis. Se você permitir, podem gerar grandes confusões em curtos espaços de tempo. Mas por outro lado, sempre podem ser acionados para obter informações, ou mesmo para lançar boatos controlados.

Os “bicudos” estão sempre com o humor de animal ferido e enjaulado. Não se aproxime sem estar preparado e atento. Podem causar ressentimentos e partir o seu time. É preciso aprender a lidar com gente assim, pois no fundo todos precisam é de motivação, alguns com tarefas que desafiam suas habilidades, outros com um sorriso sincero. O mais importante é não permitir que uma epidemia rancor se alastre.

Os “que querem abraçar o mundo” (sem poder, obviamente!) dão a falsa impressão de segurança, e na hora crítica falham de forma retumbante, não exatamente pela falta de habilidade, mas pela incapacidade de reconhecer seus próprios limites e então pedir ajuda. Fique atento!

Os “inexperientes” podem cometer erros grosseiros, causar acidentes, e não render o suficiente. Certifique-se que faltam apenas “horas de vôo”. Não sendo isso só pode ser duas coisas: ou é preguiçoso ou tem um limite na inteligência. Não hesite e seja rápido após fazer a identificação.

Mas os “confiantes” também podem ser letais, pois estar cheio de si não implica necessariamente em ser competente. Meu pai sempre me diz que é melhor um burro que sabe que é burro, a outro que se acha inteligente e esperto.

Ao longo do tempo, ou ao mesmo tempo, as pessoas podem assumir um ou mais papeis, e produzir combinações dessas características podem produzir efeitos colaterais impressionantes. Mas não se engane: você vai ver muitos outros tipos, bons e ruins. Então identifique, entenda como usar a seu favor e aja!

Boas observações!

One response to this post.

  1. Migrado do blog antigo…
    “Se o chef me permite, gostaria de acrescentar o “espécime” OGRO. Seria aquele “temporuimotempotodo”, que trabalha como uma mula, cheio de tatuagens, fala os mais incríveis impropérios, bebe compulsivamente e não para enquanto não termina o trabalho todo. É conhecido por sua pouca delicadeza com os colegas, mas no fundo respeita todos aqueles que encaram um turno quente, estressante, molhado e corrido. Pode não ter delicadeza, mas acredita no que faz e ama o seu oficio.”
    por André Montani

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