O que falta para inventar?!

Existe um encarte, as segundas, no jornal O Globo sobre tecnologia. Este caderno já teve diversos formatos e nomes, mas sempre reuniu conteúdo de informática. Uma das colunas fixas chama-se “UPDATE”, e apresenta o que há de mais moderno… Chegando as raias do ridículo por vezes. Mas como eu era da área de TI ainda sou apegado a “coisas de tecnologia”. Assisto documentários de ciências da Informação, ainda leio sobre o assunto, faço eu mesmo as minhas planilhas para controlar tudo…

Então estava lendo a tal matéria, que é formada por notinhas rápidas, e me deparei com uma foto, para dizer o mínimo, inusitada: um rapaz sentado em uma cadeira comendo um biscoito, vestindo um capacete de realidade virtual, com os fios e tubos de um filme de ficção científica pendurados.

Equipamento de Gastronomia Virtual!

Corri os olhos pelo texto e descobri que a parafernália chama-se “MetaCookie+”, e é um dispositivo gustativo de realidade virtual. Perece que a tal traquitana funciona mais ou menos assim: acontece uma captura de imagem, e o biscoito que está sendo comido realmente é trocado por um virtual, de acordo com a escolha do freguês. O grande lance é que o cheiro do biscoito é alterado, utilizando-se algumas essências sintéticas. O “cliente” então tem a sensação (visual e olfativa) de estar comendo outro biscoito. Fantástico!

Segundo, Brillat Savarin, em A fisiologia do Gosto, o olfato é responsável por uma parte tão importante do sabor que quando se está com algum problema nasal temos a impressão de que os alimentos estão “sem gosto”!

Capa original de A Fisiologia do Gosto!

Fiquei pensando, verificando algumas possibilidades para utilização prática… é preciso tentar imaginar uma máquina que, a partir de uma preparação básica, um molho por exemplo, permita testar variações, economizando tempo e produtos. Produzindo um ajuste fino executado diretamente pelo chef, sem a interferência de nenhum cozinheiro, nem de alguma contaminação do ambiente (sons, cheiros, luz ambiente e outras distrações).

Há alguns poucos anos pensei em voz alta dentro de uma cozinha que o futuro da cozinha era a aliança com a tecnologia, lembrei a todos que os processos de cocção são praticamente os mesmos desde os cozinheiros clássicos, e as bases da cozinha já estavam plantadas antes de eu nascer… Fui motivo de chacota por vários meses. Agora estou provando o doce sabor da vingança comida a frio! (Risos)

Sous-vide, micro-ondas, Gastronomia Molecular, Realidade virtual, fornos capazes de armazenar receitas e aceitar programação inteligente com capacidade de reação, Cozinha Tecnoemocional, e impressoras de sabor. Se algum desses conceitos causa estranheza corra para o seu site de buscas preferido, pesquise, e atualize-se! Não há nada mais ridículo do que um chef que não admite inovações. Ser criativo é qualidade básica para trabalhar nisso. Abrir espaço para o novo é o mínimo para obter bons resultados, num mercado concorrido como a Gastronomia.

Boas pesquisas!

One response to this post.

  1. Posted by Ana Carla on 23 de outubro de 2010 at 8:43 pm

    Oi André, adorei o blog!! Deu vontade de ir na fazenda do palmito pupunha.

    Mais um filme gastronômico para a sua lista, o último que vi e amei: “Julie & Julia”.

    Engraçado, achei que a gastronomia poderia me dar um descanso da tecnologia, e aí vc posta essa matéria! hahaha! Não há como fugir!

    Até a sua próxima aula do Básico, que aliás estou gostando muito.

    Ana Carla.

    Responder

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