Matisse, Obama e a Gastronomia

Acabei de ler um livro que traça um paralelo entre as outras artes plásticas e a Gastronomia. E agora estou lendo um outro sobre uma jornalista que entrou para o Cordon Bleu, a escola mais famosa do mundo.

CozinhaThe shaper your knife,the less you cry

É engraçado, pois são visões inicialmente muito diferentes sobre mesmo assunto: enquanto a aspirante a chef demonstra toda a sua ansiedade ao se deparar com a rigidez das regras e a dureza do treinamento, os autores do outro texto vibram ao reconhecer os padrões, e nuances, que confirmam nosso ofício como arte.

Essa visão artística me fez retornar a um pensamento antigo. Várias pessoas me perguntam por que eu não abro o meu próprio negócio, um restaurante com a minha cara, sem a interferência de ninguém.

Em meus sonhos mais doces eu imagino um restaurante pequeno, de no máximo 30 lugares. Onde a maioria dos clientes pede o menu degustação. Onde seria possível utilizar produtos orgânicos e de terroir. Um lugar que teria um cardápio totalmente autoral, e até mesmo afetivo, com a minha assinatura muito presente. E, finalmente como já disse em outro post a comida seria Vegan, mas sem esse título na porta.

Mas sempre paro por ai mesmo! Antes de ter que buscar viabilidade para um negócio desse tipo. Um negócio pequeno produz pouco volume de dinheiro. Claro: qualidade normalmente é divergente de quantidade. E infelizmente precisamos pagar as contas, manter os funcionários (e conseqüentemente suas famílias), comprar mercadorias, e tantas outras despesas.

Acho esse modelo uma tendência, mas muito difícil de administrar!

Lendo revistas sobre Gastronomia li uma entrevista com Alex Atala, 18º da lista dos melhores restaurantes do mundo, e ele dizia a mesma coisa: já diminuiu o DOM e ainda pretende cortar mais lugares. Mas diversifica seus negócios para ganhar o sustento.

Não só por ser um empreendimento pequeno, mas também por ser orgânico e Vegano, as dificuldades não seriam poucas. Mesmo com um número crescente de adeptos desse regime alimentar (digo, filosofia de vida!) ainda vejo a maioria dos estabelecimentos sofrendo. Uma boa notícia para eles é o que li hoje pela manhã. O presidente dos EUA, Barak Obama, de visita marcada ao Brasil para amanhã, solicitou a modificação do cardápio de “comida tipicamente brasileira” para “comida vegana”. É uma pena que o meu restaurante ainda não exista fisicamente, pois eu iria adorar servir uma “comida vegana tipicamente brasileira” para o gringo!

Mas o esforço extra necessário para gerir um negócio me lembra uma frase atribuída a Henri Matisse, se referindo ao próprio trabalho. “É preciso trabalhar em horário fixo, como um operário”, dizia ele e concordo eu! Segundo historiadores ele trabalhava incansavelmente durante toda a semana, e por vezes incluindo o domingo. Alguma semelhança?

Matisse 1Matisse 2

Finalmente falando da estética desse artista maravilhoso, preciso dizer que as cores puras, brilhantes e vibrantes, certamente seriam uma linda influência para as minhas finalizações. Consigo até imaginar os sabores, e porque não os cheiros. Mas por enquanto, prefiro deixar tudo isso como está. Como um belo quadro de Matisse, mostrando uma mesa farta e colorida, pendurado na parede. Apenas lá, instigando a minha imaginação.

Bons sonhos.

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