Comida de morro

Ontem estava lendo o jornal, já na madrugada de hoje (claro!), e uma pequena notinha me chamou a atenção. Falava sobre um pesquisador cujo trabalho tratava de “comida de morro”. E justamente essa mesma expressão eu havia lido no dia anterior em um site, numa notícia sobre o famoso evento de Gastronomia que acontece anualmente aqui no Rio: O Degusta Rio.

O tal texto dizia que o tema desde ano seria ligado a esse tipo de comida. Então fui à caça de mais informações sobre isso.

Pavão-pavãozinho, dos Macacos, Tabajara, Babilônia, Chapéu Mangueira, e alguns outros nomes de comunidades que normalmente eram citadas apenas nas páginas policiais agora aparecem com histórias muito bonitas.

São pessoas obviamente trabalhadoras, que ou foram domésticas e cozinheiras de famílias mais abastadas, ou cozinheiros de restaurantes bacanas, e que enfim resolveram parar de emprestar o seu talento a outros e investiram em negócios familiares.

Basicamente são bares-restaurantes-residências, onde o atendimento personalizado e preços simpáticos são características básicas. Aliado a isso a tradicional comida caseira, feita em minúsculas cozinhas e servidas ali mesmo, bem pertinho, despertam incríveis memórias ligadas à história familiar. Comida gostosa, a bom preço, com uma vista muitas vezes maravilhosa de nossa linda cidade só poderiam mesmo cair nas graças dos turistas. Realmente é muito legal para não ser percebido!

Certo! Mas eu preciso perguntar, com player do mercado gastronômico, qual é o valor disso? Como história dessas pessoas, não há duvidas: é maravilhoso. Mas como Gastronomia, e mais especificamente como carioca, o quanto isso é representativo?

Os pratos servidos, segundo os artigos que li, são na maioria mostras da Gastronomia dita Internacional, ou até mesmo regional (nordestina, mineira,…). Os PFs visam atender a uma demanda muito especifica (matar a fome!) e, portanto não têm a menor pretensão de serem grandes realizações culinárias.

As vésperas dos grandiosos eventos esportivos, que acontecerão sob a benção do Cristo Redentor, dedicar a isso, um dos eventos gastronômicos mais importantes da cidade é no mínimo perigoso. Imagino alguns turistas retornando para suas casas e comentando que comeram comida típica carioca, com belas fotos de uma moqueca, apenas como exemplo.

Sempre digo em minhas aulas que a nossa arte não se resume a receitas e dicas. É preciso ampliar o foco para todo o conjunto cultural em torno da comida. E, é com esse olhar que gostaria de encontrar profundidade nesse assunto. Uma verdadeira busca pela “Gastronomia carioca feita no morro”, com as suas histórias e malandragens muito comuns aqui.

Comida feita por gente simples, não é necessariamente boa, e nem ruim. Mas também não deve ser chamada obrigatoriamente de Gastronomia, só para parecer politicamente correto!

Boa pesquisa nos morros!

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3 responses to this post.

  1. Posted by Luciana Arraes on 29 de março de 2011 at 2:26 am

    O que a Anvisa acha disso? A que tipo de controle a “gastronomia carioca feita no morro” está sujeita?

    Responder

  2. Posted by lucilia guimaraes on 5 de março de 2014 at 2:38 pm

    Qual é o resultado da pesquisa? Fiquei sem saber qual é a verdadeira comida do morro.

    Responder

    • É sempre muito difícil rotular as coisas… mas se fosse preciso definir eu diria que passa por coisas preparadas com carnes de segunda, miúdos e nada de afetação. São pessoas simples buscando muito prazer em cada refeição. Além disso, a comida precisa ser barata. Eu votaria em mocotó, ou algo assim!
      Faça a sua própria pesquisa e me mande suas impressões!
      Boa sorte!

      Responder

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