Semanas difíceis!

Essas últimas semanas foram muito difíceis para mim. Estive em muitos eventos, dei algumas aulas, trabalhei em projetos paralelos, fiquei com dois colaboradores a menos na cozinha, estou começando a me preparar para encarar um mestrado,… Mas ninguém havia me dito que seria fácil.

Dos eventos que participei o que mais me chamou a atenção foi a Mostra Sabores Latinos – edição México, da qual participei de uma mesa redonda, com chefs e jornalistas brasileiros e mexicanos.

Preciso dizer que não foi surpresa para mim a riqueza da Gastronomia mexicana, pois há pouco tempo fiz um evento que era uma mostra de cinema, e o filme sobre o qual trabalhei a degustação era mexicano. Então estudando o assunto encontrei muito mais do que tacos e burritos. Mas também preciso dizer que a apresentação que assisti foi completíssima. Com detalhes históricos e culturais que só poderiam ser apresentados pelos nativos de lá. Foi muito impressionante e enriquecedor. A Malagueta Comunicação, responsável pelo evento, possui uma cobertura bem completa do evento.

Também nessas semanas fui “visitar” a aula de História da Alimentação, lá mesmo no curso da UNIRIO. A gentil professora Sandra Goulart leciona essa cadeira aos alunos do módulo Avançado, e permitiu a minha pequena invasão. Nessa aula os alunos fazem uma espécie de seminário sobre culturas gastronômicas pelo mundo, seguido de uma degustação preparada por eles mesmos. Fui surpreendido por uma apresentação muito boa sobre Gastronomia francesa! Muito rica em detalhes e feita com carinho. Parabéns ao grupo! Como se diz por aí: emocionou! (Se o grupo quiser pode me enviar a apresentação que eu publico aqui!)

Os dois funcionários que perdi, mesmo que momentaneamente, fizeram muita falta. Mas os dois cometeram erros grosseiros que eu gostaria de esclarecer para servir de alerta para quem trabalha com gastronomia.

O primeiro a me abandonar foi um experiente cozinheiro, que cometeu o erro de comer um Caldo Verde na rua. A culpa não era da receita, mas sim do habito de comer fora de casa sem pensar nas conseqüências. Pois é, obviamente o infeliz teve uma infecção intestinal que se complicou e ele acabou internado. Então, lá vai o conselho: proteja o seu corpo, selecione o que vai comer com muito cuidado. E, se quem produz a comida é você, fique atento para a responsabilidade que assumimos quando nos propomos a servir ao público!

O segundo erro foi uma tremenda demonstração de falta de experiência. Depois de ouvir diversos relatos sobre acidentes ocorridos com abacates sendo cortados sobre as mãos, resolvi incluir isso logo na minha primeira aula do curso. NADA pode ser cortado sobre a sua própria mão. A superfície de corte está lá para isso, tudo deve estar repousando estável sobre a “tábua” antes de ser cortado em segurança. E mais, trabalhando com facas não se pode, sobre a pena de ocorrerem cortes profundos, fazer força! O que corta é o fio deslizar pela superfície do elemento. Se for preciso exercer força para cortar alguma coisa pare e reavalie a situação, há uma chance enorme de você estar fazendo uma besteira.

Apenas para completar: falando de abacate, mais especificamente, o procedimento é fazer o corte circular, em torno do caroço, mas no sentido perpendicular ao cabo (no outro sentido pode ser perigoso, pois o caroço não é sólido como uma bola de bilhar, e sim bipartido por dentro). Depois, apenas com as mãos, gira-se cada metade num sentido separando-as. Finalmente, a metade que ficou com o caroço deve ser segurada com uma mão e com a faca na outra mão, paralelamente a superfície cortada, e com um pequeno movimento, prende-se o caroço a faca. Gira-se o conjunto caroço-faca para soltá-lo e puxa-se praticamente sem risco.


Melhoras aos dois!

Depois de semanas tão agitadas vou me recolher e descansar durante o final de semana.

Boa semana!

2 responses to this post.

  1. Posted by eliane pinto de araujo correa on 6 de outubro de 2011 at 4:06 pm

    Apesar de ser profissional da área, sei quando me colocar como aluna diante de um PROFISSIONAL como você. Parabenizo pelas reportagens, aprendo muito, cresço e passo adiante. Gostaria de sugerir algum comentário mais fundo sobre molhos básicos, caldos, pois amo esse assunto e acho essencial no aprendizado de qualquer um que queira estudar gastronomia. Obrigada

    Responder

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