A Dioxina e o filme PVC

A minha amiga, e também bloggeira, Beth Sacramento, me veio com um pedido que eu quase recusei. Ela havia me solicitado uma pesquisa sobre uma largamente informação, divulgada pela Internet, sobre Dioxina, plásticos e micro-ondas. Não sou químico, nem especialista em plásticos, e sobre esse aparelho maravilhoso só conheço o básico. Fiquei com medo de não conseguir corresponder.

Charge sobre micro-ondas

Comecei a pesquisa tentando descobrir o que é Dioxina (TCDD). É um composto de Carbono, Hidrogênio e Cloro, parecido quimicamente com o DDT, muito tóxico, que não se decompõe no meio ambiente, mas é lipossolúvel, isto é, é solúvel em gordura.

Muitos relatos relacionam o TCDD como a substância mais tóxica do planeta, inclusive mais perigosa do que Urânio e Plutônio. Mas isso não chega a ser uma unanimidade para os cientistas. O fato é que é altamente carcinogênico, e já causou muitas mortes. Os EUA usaram isso como arma, no Vietnan, e foi chamado de Agente Laranja.

Agente Laranja no Vietnan

Em 2004, na corrida presidencial da Ucrânia, o então candidato da oposição Viktor Yushchenko, foi contaminado, num caso muito controverso, e apresentou uma concentração de Dioxina 6 mil vezes maior que o nível tido como normal. Ele desenvolveu uma síndrome chamada Cloroacne, muitas vezes diretamente relacionada como uma reação comum a esse tipo de contaminação. Hoje, está vivo e relatos dizem que praticamente normal.

O tal composto é produzido a partir da queima de gás Cloro, acima de 371 graus centígrados, em presença de material orgânico e gordura. É um subproduto da produção de herbicidas e de papel branqueado.

Hoje, são utilizados muitos tipos diferentes de plásticos em embalagens de produtos alimentícios, e entre eles o PET (para refrigerantes), o HDPE (para leite e galões duros), o LDPE (para recipientes para alimentos), PS (isopor), o PVC (filme, vinil, brinquedos e outros), PP (malas, acabamentos de automóveis,…) e ABS (outras resinas). Há relatos que a queima de PVC (Policloreto de vinila) também produz o veneno, mas é preciso reproduzir as condições do parágrafo anterior.

Li várias páginas sobre os tais e-mails “reveladores”, e todas as informações usadas como referencias são falsas, em algumas as pessoas/instituições existem mas agora negam veementemente a autoria dessas “pesquisas”.

O EPA – Environmental Protection Agency (Agência de proteção ambiental dos EUA) relata que 90% da dioxina a qual os norte-americanos estão expostos provem de carnes, laticínios e peixes, que foram contaminados pelo pasto ou ração, que por sua vez foi contaminado por incineradores e lixo industrial. A OMS e o FDA também não consideram a utilização de utensílios de plásticos, ou filme PVC, como riscos para a alimentação.

Encontrei, no entanto, um texto do PhD Rolf Halden, especialista no assunto, que fez duas afirmações muito marcantes para mim: a primeira, é que o calor ajuda a liberar produtos químicos, exatamente como é feito em laboratórios para analisar a emissão de resíduos. Sendo assim, ele recomenda que apenas as embalagens marcadas como de uso permitido no micro-ondas sejam utilizadas. Plásticos produzidos em empresas de fundo de quintal não podem ser certificados adequadamente, e assim produzir alguma contaminação.

Simbolos para plásticos

Na segunda afirmação ele foi bastante categórico: “Isso é lenda urbana!”. Reproduzir as condições necessárias para produzir dioxina apenas com filme PVC, comida e um micro-ondas, não é possível. E se, por um acaso, esse conjunto pudesse atingir a temperatura correta, seria impossível comer o resultado!

Espero ter ajudado. E muito cuidado com o que se lê na Internet, nem sempre as coisas são como parecem. Existe muito de verdades pela metade, citações sem fundamento e pesquisas superficiais.

Boas pesquisas!

9 responses to this post.

  1. Obrigada, adorei !!Acho que já ajuda a diminuir nossa ignorância sobre muitas, mas muitas coisas que consumimos e até sem saber produzimos.
    Bjoca..

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  2. Posted by Luiz Roberto Guerra on 31 de outubro de 2011 at 7:35 pm

    Parabéns pela pesquisa André, devemos ter muito cuidado com os “arautos do apocalipse”.
    Um abç

    Luiz Guerra – aluno do básico ago/set 2011 UNIRIO

    Responder

  3. Posted by Tatiana on 28 de maio de 2014 at 1:18 am

    André, então não preciso abandonar a pipoca sem óleo que faço no microondas? Eh moda no mundo da alimentação fit. Coloca num recipiente de vidro, milho de pipoca, sal e um pouco de água. Pouquinho. tampa com filme plástico. Deixa no microondas, potência máxima, uns 10 minutos e tá pronta. Mas o plástico quase derretido me assusta.

    Responder

    • O elástico quase derretendo significa que o material de que é feito está quase chegando no seu ponto de queima. Fica minha sugestão: troque o elástico por um pedaço do bom e velho barbante de padaria, e a receita será com certeza segura!
      Nota: Adoro pipoca!

      Responder

  4. Ajudou e muito! Acho que todo veneno depende da.dose . Prefiro evitar aquecer vazilhas no micro, até porque elas estragam e ficam anti higiênicas. Mas eu faço salsicha caseira usando papel filme e isso me preocupava bastante. Como não como sempre então fico mais tranquila agora lendo seu texto. Grata

    Responder

    • Oi Camila,
      Obrigado pela sua visita, e comentário, ao meu blog.
      Concordo com você e também não uso vasilhames plásticos no micro, pois acredito que acabem transmitindo cheiros entre os alimentos (fora a higiene).
      Inscreva-se para receber avisos sobre as novas publicações (sei que ando escrevendo pouco, mas pretendo voltar a toda!).

      Responder

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