Archive for abril \18\UTC 2017

Segunda parte da viagem de navio!

E a minha viagem continuou.

Embarcados num cruzeiro pela América Latina, estive em contato com muitas culturas que confesso já deveriam ser minhas velhas conhecidas. Ocorreu-me agora o quão pouco nós brasileiros sabemos do que se come nos países de nossos “hermanos”.

É claro que a barreira da língua é significativa, mas nada que um pouco de boa vontade de parte a parte não resolva.

Portunhol: a salvação da lavoura!

Mas voltando a Gastronomia, preciso dizer que se pode comer muito bem, e muito mal, em um navio. Experimentei o buffet, e o resultado não é os melhores. Comida de buffet, regular, nada que chame a atenção. Tanto no café da manhã como no almoço, e no jantar também, as opções são relativamente parecidas. E as sobremesas parecem feitas para a tv: lindas, levadas a um patamar de perfeição da forma. Mas, sem gosto e sem atrativo gustativo. Meu cérebro vivia em um completo exercício de ficar interessado pelos estímulos visuais e depois ter de lidar com a decepção do sabor.

Mas isso tudo, foi apenas o lado ruim do navio. O lado bom, diria até muito bom, foram os restaurantes “a la carte”. As pessoas ignorantes em Gastronomia usam frases como “eu odeio comida chique” ou “essa comida com frescuras me irrita”, apenas para esconder sua incapacidade de perceber as nuances de uma boa refeição (ver post sobre dar Pérolas aos porcos!). Nestes locais se comia com muito prazer. Cardápios parecidos, sim (principalmente nos ingredientes). Mas diferentes na execução, na combinação de sabores e texturas.

Fizemos nossos jantares principalmente em dois restaurantes que não precisávamos reservas. Refeições completas, com entradas frias e quentes, sopas, massa, primeiro prato, segundo prato e sobremesa. O serviço praticamente impecável, chegando ao cúmulo de termos um garçon e um cumin por mesa. Boas experiências.

Mas também fizemos refeições nos restaurantes que precisavam de reserva. Uma delícia. Cardápios especialmente elaborados, dentro de cada uma de suas especialidades. O mais importante é perceber que o pessoal dos cruzeiros captou o espírito da Gastronomia nas suas mais profundas características: fazer uma refeição é um conjunto de detalhes orientados a proporcionar prazer ao cliente. Cardápios elaborados para explorar o paladar, e executados com perfeição técnica. Toalhas e confortáveis guardanapos de tecido. Decoração do salão e das mesas. Limpos, brilhantes e pesados jogos de talheres. Copos e taças adequadas ao que seria servido. E mais um sem fim de coisas que ficam escondidas de nossos olhares, mas que estão lá, disponíveis na hora certa.

Carta de vinhos da degustação

Já falei da carta de vinhos? Há, hum,…yanhamnham… A carta de vinhos é super dimencionada, com gostos e preços para todas as pessoas é capaz de atender a demanda de qualquer gourmet. Os enochatos podem até tentar criticar… mas fizemos uma degustação com seis vinhos que deixariam os experts no mínimo intrigados.

Nós estivemos comendo sem parar desde o início desta jornada. Não faltaram opções deliciosas. Mais uma vez venho falar sobre o que gosto de chamar de “memória gustativa”. Os meus alunos já devem estar cansados de ouvir, mas preciso lembrar que a principal ferramenta de trabalho de um chef é o seu cérebro, ou mais precisamente esta parte da memória onde acumulamos as experiências sensoriais referentes a comida.

Bom desenvolvimento do seu paladar!